Esse mês foi um mês que misturou sentimentos, deu um nó na minha cabeça, mas que valeu a pena! Fui pra Freising, fui todas as semanas para Munique, tive encontro dos intercambistas em Regensburg (ótima cidade, linda, maravilhosa e... fria demais), tive despedidas, revi as pessoas que me despedi, me despedi de novo, fiz novas amizades, ajudei no Bazar de Natal da escola, toquei no concerto de Natal da cidade, fiz prova de alemão, passei na prova de alemão, fui pra academia, aguardei (e continuo aguardando) ansiosamente a caixa que os melhores pais do mundo (os meus) enviaram, chorei, ri demais, me perdi, perdi o trem e tive que ficar correndo pela estação, falei muito alemão, falei muito português, vi neve, fui no jogo do Bayern e etc.
O encontro de Regensburg foi maravilhoso! No primeiro dia todos nós estávamos super nervosos porque iríamos fazer a tão esperada prova de alemão. Apesar de todos acharmos que era ainda cedo demais pra ter aprendido 100% a gramática do Alemão que é difícil demais, quase todos passamos, apenas 6 (mais ou menos) não atingiram os objetivos esperados. Eu passei e por consequência fiquei falando disso durante uma semana. No segundo dia fomos conhecer a cidade, fomos numa feira de Natal gigante e linda, onde eu comi maçã do amor que estava boa demais e andei de carrossel com os outros intercambistas! De noite teve festa no nosso quarto, na qual até os Rotex se fizeram presentes! Acabou (inicialmente, diga-se de passagem), às 4 horas. Depois tivemos uma oldie lindíssima (oldie: intercambista que veio em janeiro e está indo embora agora em dezembro ou, no máximo, em janeiro) fazendo um discurso. Ela deu conselhos de como aproveitar o intercâmbio, e de 'no risk, no fun'. Ela contou tantas coisas e aconselhou tantas outras que falou por 45 minutos e nós, os newbies (intercambistas que vieram a partir da metade do ano), e futuros oldies (futuro próximo demais, inclusive) ficamos olhando bem abobadas, prestando atenção em tudo o que ela falava e aconselhava. Depois fomos dormir (bem, a maioria foi dormir) e no outro dia a Rotex veio nos acordar às 8 ou 8:30. Fomos tomar café e tivemos uma conversa com os Rotex, e depois as oldies lindonas mostraram um vídeo que elas fizeram do ano de 2011. Quase choramos, afinal, era a última vez que iríamos ver os nossos amados oldies, e quem sabe seria a última vez pra sempre, pois apesar de termos oldies do Brasil e da Argentina, temos também da Nova Zelândia e da Austrália, o que torna muito mais difícil uma visita. Assinamos bandeiras e caderninhos para todos serem sempre lembrados. Fomos meio correndo para a estação de trem e lá, tivemos que nos despedir de várias pessoas (como eu disse, quem sabe para sempre). Choramos feito loucos, como se conhecêssemos as pessoas de quem estávamos nos despedindo por anos, mas não. Nos conhecemos há menos de três meses e no máximo, há quatro encontros! Por incrível que pareça, descobri que é sim possível construir uma amizade em tão pouco tempo. Alguns deles vão me fazer mais falta do que muitos que eu conheço a vida inteira estão me fazendo. Não tem explicação! A ligação que nós intercambistas temos entre nós mesmos é muito forte. Todos estamos passando pelas mesmas situações, todos tentam ajudar uns aos outros, todos estamos sofrendo por estarmos longe das nossas famílias, mas ao mesmo tempo, todos estamos felizes por estarmos fazendo intercâmbio. Enfim, newbies choraram, oldies choraram e o Facu chorou! (o Facu ficou só três meses aqui, intercâmbio de curta duração). Fomos embora e eu e mais umas amigas minhas (de várias nacionalidades, ahah) fizemos uma 'sessão de choro' no trem: choramos porque fomos embora, choramos porque os oldies estão indo embora, choramos porque vamos ter que ir embora, choramos porque vamos ter que nos despedir uns dos outros, choramos de saudade. Nos separamos e, claro, choramos de novo. Eu, a Angi, o Víctor e o Jordan pegamos nossos trens e choramos em quase todos eles. Nunca me senti tão frágil;
Não digo que foi tudo em vão, mas quarta-feira eu e a Angi fomos pra Munique (de novo) e encontramos com quase todos os oldies. Tivemos um ótimo dia e e nos despedimos, novamente. Mas dessa vez sem choro, só com muitos abraços e muitos beijos: de carinho, de despedida, de saudade antecipada, de felicidade, de tristeza... beijos e abraços de todos os sentimentos possíveis, todos misturados. Nos demos tchau, mas com uma certeza: nunca vamos esquecer uns dos outros. Mesmo que não nos falemos sempre, todos vão ser lembrados, cada um de um jeitinho diferente porque afinal, todos temos um jeitinho diferente e é isso que nos mantém unidos!
Agora, deixar de falar dos intercambistas e começar a falar do Natal... Estou há quase quatro meses aqui e posso dizer que, depois do primeiro mês, essa é a época mais difícil de todas. Engana-se quem pensa que estar na Europa, com frio e etc é ótimo. É legal, novas experiências são sempre bem-vindas. Mas passar uma data tão especial longe das pessoas que tu realmente ama não é nada agradável. Saber que tu está em um país, onde quase ninguém se importa contigo é um pouco desagradável. Eu sei que esse é o único ano que eu vou passar longe da minha família , mas isso não deixa de me afetar. Ser intercambista é ser sempre sensível demais, de um jeito que tu nunca pensou que fosse! Pras pessoas que acham que são fortes o suficiente pra suportar qualquer tempestade: tentem ficar um ano longe dos amigos e familiares de vocês. Tentem passar as datas especiais sem as pessoas que te amam e tu ama reciprocamente. Apenas tentem... Vocês vão descobrir que não são, afinal, tão fortes quanto pensaram, mas nem tão fracos quanto imaginaram.
Muitas coisas que acontecem no intercâmbio são inexplicáveis, e Natal é uma dessas coisas. Tudo o que eu queria hoje era estar com a minha família, as únicas pessoas no mundo que eu tenho certeza que vão me amar sempre, apesar de muitas vezes eu ser burra e não dar o valor que eles merecem e também, são as únicas pessoas que eu vou amar, sempre, independente da distância e da situação. Mas mais do que tudo, hoje, eu sei que eu preciso ser forte e eu sei que eu sou. Sou forte o suficiente pra ficar aqui, aguentar todos os desafios que a vida me der, mas ao mesmo tempos sou tão fraca a ponto de deixar tudo me afetar, fraca por chorar pela falta que as pessoas me fazem e fraca por muitas vezes pensar sobre o Brasil e o quanto eu gostaria de estar lá (mas isso só nos momentos mais difíceis do intercâmbio, que não são nada comuns; não trocaria meu intercâmbio, o meu ano por uma festa brasileira, apesar de elas fazerem muita falta).
Por hoje é isso, sei que a última parte ficou confusa, mas valeu a intenção!
Um beeijo para todo mundo no Brasil, um FELIZ NATAL, aproveitem muito as pessoas que vocês amam, esmaguem elas de tanto abraçar e beijar! E se eu não voltar a postar aqui (o que todos sabemos que é possível), um ÓTIMO ANO NOVO, que vocês façam nesse ano tudo que vocês não tiveram coragem de fazer no ano de 2011, mas não se arrependam nunca, tudo acontece por um motivo maior!